Justiça afasta
servidores
Seis servidores da Câmara Municipal de Cachoeiro foram
afastados pela Justiça nesta quinta-feira (26) por determinação da Justiça. A decisão
foi tomada pelo juiz da Vara dos Feitos Públicos, Robson Louzada, com base em
ofício enviado ao Ministério Público na última terça-feira (24) pelo presidente
da Casa, Júlio Ferrari (PV), solicitando a investigação de possíveis
irregularidades nas finanças do legislativo muunicipal.
“Tomei conhecimento das irregularidades na segunda-feira,
e na terça-feira fui ao Ministério Público.
É uma situação grave, e a decisão foi imediata. Quero resguardar a
Câmara e impedir que ela continue sendo lesada”, diz o presidente, que, junto
com a preocupação, demonstra outros sentimentos. “Estou estarrecido, indignado e decepcionado. É um momento de profunda
tristeza para todos que trabalham na Câmara”, diz Ferrari.
Os servidores afastados foram o contador Hélio Grecchi
Rosa e mais cinco funcionários. Por
determinação da Justiça, durante a investigação todos continuarão recebendo remuneração e estão proibidos de frequentar
as instalações da Câmara.
O caso
No início da noite de segunda-feira (23), Ferrari
foi chamado para uma reunião urgente na
agência Guandu da Caixa Econômica Federal, onde é feita toda a movimentação
financeira da Câmara. A gerência informou ao presidente que funcionários da
agência suspeitavam que dois cheques, emitidos pela Câmara naquele dia, com os
valores de R$ 53.087,66 e R4 39.394,58, tinham sofrido rasuras no verso, onde é
definida a destinação dos recursos. O
dinheiro, que seria usado para o recolhimento de tributos previdenciários,
havia sido desviado para o pagamento de uma suposta folha de pagamento
suplementar.
FOTO: JORNAL FATO
Diferente da verdadeira folha de pagamentos da Câmara, que é enviada à Caixa através de
um sistema on-line, esta relação foi entregue
à agência pelo contador da Casa, em
papel simples, sem timbre e sem nenhuma assinatura. Além dos seis servidores, a lista continha também o nome de outras
pessoas sem nenhum vínculo com a Câmara.
Na terça-feira, às 14h00, o presidente protocolou um ofício no
Ministério Público solicitando providências. Pouco antes, a Caixa informou a Ferrari que um outro
cheque, de R$ 51.850,92, e uma nova relação de nomes havia sido enviada para a agência. Ao
contrário dos outros dois, este cheque não chegou a ser descontado.
Providências
Assim como o presidente da Câmara, o Ministério Público
agiu rapidamente e fez a denúncia à Justiça, que determinou hoje o afastamento
dos servidores. Também hoje a Câmara abriu um inquérito administrativo para
apurar as condutas dos servidores do ponto de vista administrativo. A
investigação interna tem prazo de 90 dias, sendo prorrogável pelo mesmo
período, e prevê penas que vão desde a advertência até a exoneração dos
servidores.
Na próxima segunda-feira, Ferrari também irá solicitar ao
Tribunal de Contas que realize uma tomada de contas especial na Câmara, para
investigar toda a movimentação financeira realizada pela Casa nos últimos dez
anos. E, além disso, será realizada uma auditoria interna, para verificar com
maior rapidez se outros recursos foram desviados. Enquanto isso, Ferrari já
determinou o corte de despesas e um rigoroso controle de gastos.
“ Queremos recompor com urgência a situação financeira da
Câmara. Mas queremos, principalmente, instalar a moralidade no nosso
Legislativo. Este sempre foi nosso compromisso e continua sendo. Devemos isso à
grande maioria de servidores da Casa, gente honesta que está arrasada com esta situação. Devemos aos
vereadores, que também têm compromisso com a transparência. E devemos
principalmente à sociedade. Não vamos suportar nenhum tipo de ilegalidade, e
todos podem estar certos disso”, finaliza Ferrari.
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