quinta-feira, 26 de setembro de 2013

ESCÂNDALO - SERVIDORES SÃO ACUSADOS DE DESVIAR DINHEIRO DA CÂMARA DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM - ES



Justiça afasta servidores

Seis servidores da Câmara Municipal de Cachoeiro foram afastados pela Justiça nesta quinta-feira (26) por determinação da Justiça. A decisão foi tomada pelo juiz da Vara dos Feitos Públicos, Robson Louzada, com base em ofício enviado ao Ministério Público na última terça-feira (24) pelo presidente da Casa, Júlio Ferrari (PV), solicitando a investigação de possíveis irregularidades nas finanças do legislativo muunicipal.
“Tomei conhecimento das irregularidades na segunda-feira, e na terça-feira fui ao Ministério Público.  É uma situação grave, e a decisão foi imediata. Quero resguardar a Câmara e impedir que ela continue sendo lesada”, diz o presidente, que, junto com a preocupação, demonstra outros sentimentos. “Estou estarrecido, indignado  e decepcionado. É um momento de profunda tristeza para todos que trabalham na Câmara”, diz Ferrari.
Os servidores afastados foram o contador Hélio Grecchi Rosa e mais cinco funcionários. Por determinação da Justiça, durante a investigação todos continuarão recebendo  remuneração e estão proibidos de frequentar as instalações da Câmara.
O caso
No início da noite de segunda-feira (23), Ferrari foi  chamado para uma reunião urgente na agência Guandu da Caixa Econômica Federal, onde é feita toda a movimentação financeira da Câmara. A gerência informou ao presidente que funcionários da agência suspeitavam que dois cheques, emitidos pela Câmara naquele dia, com os valores de R$ 53.087,66 e R4 39.394,58, tinham sofrido rasuras no verso, onde é definida a destinação dos recursos.  O dinheiro, que seria usado para o recolhimento de tributos previdenciários, havia sido desviado para o pagamento de uma suposta folha de pagamento suplementar.
FOTO: JORNAL FATO 

Diferente da verdadeira folha de pagamentos  da Câmara, que é enviada à Caixa através de um sistema on-line,  esta relação foi entregue à agência pelo contador da Casa,  em papel simples, sem timbre e sem nenhuma assinatura.  Além dos seis servidores,  a lista continha também o nome de outras pessoas sem nenhum vínculo com a Câmara.  Na terça-feira, às 14h00, o presidente protocolou um ofício no Ministério Público solicitando providências. Pouco antes,  a Caixa informou a Ferrari que um outro cheque, de R$ 51.850,92, e uma nova relação de nomes  havia sido enviada para a agência. Ao contrário dos outros dois, este cheque não chegou a ser descontado.
Providências  
Assim como o presidente da Câmara, o Ministério Público agiu rapidamente e fez a denúncia à Justiça, que determinou hoje o afastamento dos servidores. Também hoje a Câmara abriu um inquérito administrativo para apurar as condutas dos servidores do ponto de vista administrativo. A investigação interna tem prazo de 90 dias, sendo prorrogável pelo mesmo período, e prevê penas que vão desde a advertência até a exoneração dos servidores.
Na próxima segunda-feira, Ferrari também irá solicitar ao Tribunal de Contas que realize uma tomada de contas especial na Câmara, para investigar toda a movimentação financeira realizada pela Casa nos últimos dez anos. E, além disso, será realizada uma auditoria interna, para verificar com maior rapidez se outros recursos foram desviados. Enquanto isso, Ferrari já determinou o corte de despesas e um rigoroso controle de gastos.
“ Queremos recompor com urgência a situação financeira da Câmara. Mas queremos, principalmente, instalar a moralidade no nosso Legislativo. Este sempre foi nosso compromisso e continua sendo. Devemos isso à grande maioria de servidores da Casa, gente honesta  que está  arrasada com esta situação. Devemos aos vereadores, que também têm compromisso com a transparência. E devemos principalmente à sociedade. Não vamos suportar nenhum tipo de ilegalidade, e todos podem estar certos disso”, finaliza Ferrari.


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